Metatexto: Poemas-Instalações



O nascimento do poema-instalação em sua temática é a existência de vultos em seu fazer diário, alinhavando, de dentro para fora e de fora para dentro o seu germe criador.
O poema-instalação só se materializa a partir da impressão causada no confeccionador a partir do nome próprio de alguém e de sua obra no meio social.
Porisso ele só concebe a partir do criador e de sua criatura em uma capacidade única no universo.
Longe de ser acróstico ou poema-dedicatória. O poema-instalação é o produto de um existir que alguém evoca ou imprime devido ao que a ele se assemelha. Razão pela qual se instala, em nome da(s) pessoa(s) e da(s) coisa(s) própria(s) do meio em que vive. O poema-instalação se estrutura por apropriações sensoriais, pelos sentidos, gerando a catarse circunferencial.
Uma vez surgido o signo, desenvolve-se o poema pela sensação que o artista, na arte intrínseca, provoca naquele que a recepcionou, impactando em sua realidade, acrescentando-lhe algo a mais. Pois o criador acabou de influenciar uma absorção no receptor, onde o conjunto vira um signo emblemático.
A partir daí se tem mais uma referência de vida. Com estilo, característica, simbolismo; tanto que pela língua dos países vão se transformando em adjetivos e substantivos derivados, como o próprio substantivo “etimologia” é alusivo.
O poema contendo nomes próprios é homérico. Depois tudo segue. No entanto, a idéia de centralizar o poema em nome(s) interagente(s) gera inúmeras combinações de idéias para as artes.
Nome(s), vida(s) e obra(s) são tema(s) para instalações poéticas para a arte de viver e criar. Pois se interligam e dão ressonância. Vertentes necessárias ao segmento de novos cursos através dos tempos/espaços.
Será a pedra de Drummond a mesma de Sísifo?
Mesmo sendo Sísifo um mito.
Será que o estandarte do Profeta Gentileza foi o mesmo de Tostoi?
O que move os nomes de Noel Rosa e de Cartola através da música?
O que embala as canções de Maísa Monjardim e Edith Piaf?
Sem comparativos onde estaria toda a poesia de João Cabral de Melo Neto?
A percepção e a sensação de que as coisas se interligam dá-se através do conhecimento dos signos.
Do impacto nasce o diálogo com o nome e a obra, gerando o produto que, interpretado, forma na terceira pessoa, a sua comunicação, que se dará sempre por sucessões a outras absorvências.
Um poema feito por Bertolt Brecht baseado em Rosa Luxemburgo deixa bem claro a instalação. O evocar que o inspirou a escrever só ganhou corpo a partir do signo: rosaluxemburgo.
Ali ele buscou e achou sua essência e efervescência. Daí materializou-se e instalou-se a poética.
Daí toda a significação para o poema ser esse meio de comunicação que chega aos nossos dias.
Rosa influencia Brecht e a interligação dos ícones são as bandeiras desfraldadas que nos influencia um pouco mais sobre o nosso galgar. Eles são dignos de alusões, tais como adjetivos, substantivos ou poemas-instalações.
Haroldo de Campos instalou um poema a partir de Buson, Bashô e de haicais seus. O que vem mostrar que Buson e Bashô estão incorporados nos haicais de todo o mundo. Impossível dissociá-los.
Todo nome pertence a algo e o alguém em si é a poesia: sine qua non. Já que tudo do alguém verte. Quando o alguém é percebido ou decodificado, sua significância se eleva acima do que os símbolos que o compõe até então. Pois da junção de seu conhecimento vem a possibilidade de novas criações, significando que ele também é um produto de suas absorvências e que se faz necessário ao conhecimento progressivo na própria atuação social.
A personalidade é algo que se constrói imperceptivelmente. É um pote que nunca está cheio. Na medida em que novos conhecimentos chegam, os já existentes se compactam, estendendo a fibrilação aos novos, gerando átimos, impulsionando a criação.
Os poemas-instalações só podem ocupar o lugar que é seu naturalmente, não tomando outro espaço dentro da literatura, vertendo-a, ao mesmo tempo, a maior aguçar.
O poema-instalação cria um movimento temático, consistente, oferecendo novas possibilidades iconográficas, constituindo novos símbolos caracterizados pelo que se instale, vindo do ser único e dependente de si para absorver o que queira e transformá-lo.
Moduan Matus 2008.


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